Será a minha missão ser apenas feliz? Deverei eu matar-me a trabalhar para criar riqueza para os outros que não eu? Até que ponto o meu conforto valerá assim tanto, ou custará ele uma barbaridade?
Será que isto é não passa de um concurso de amizades? Existirá um pódio no final da vida para aqueles que mais laços criaram? Ou para aqueles que mais serão lembrados? Para isso contará apenas as coisas boas ou também as coisas más? As duas deixam marca, qui çá, mais as piores... Se assim for porque é que deveremos fazer o bem? Será que o que vale mais pontos é aquilo que nos faz sentir melhor? E se o bem me fizer sentir melhor?... E o guia para fazer as coisas bem? Alguém o tem?
Porque é que começamos todos do ZERO (0)? Sujeitos a tudo aquilo que alguém nos vai passando com o passar do tempo. Será isto uma rota de vai-vem? De uma caminhada penosa até um magestoso climax, para depois descer dolorosamente até à desolação?
Estou a pouco mais de um mês de me casar.
Às vezes penso que não estou bem dentro de toda a dimensão da coisa. Passamos meses a fio a preparar um dia, e quando damos conta, nem temos tempo para gozar os meses que antecedem o dia. Será esta a sina da nossa vida? Caminhar em função de um objectivo, que assim que atingido, e obtido o climax, se segue um atrofiar progressivo, até que novo desafio se depare?
Confesso que para agora este é o meu maior desafio.
Os dias sucedem-se vertiginosamente, e a responsabilidade vai aumentando Poucas são as vezes na nossa vida em que somos figuras de proa. Esta será uma delas... Fácil não será decerto, mas fortalecedora será certamente.
Depois... depois resta desfrutar.
Somos novos, os dias não param de chegar, o sol continua a levantar-se todos os dias e o cheiro a primavera, ainda nos brinda em dispersas pinceladas.
Eu vou casar, e depois?
O depois o dirá!...
Com paixão, amor e felicidade caminharemos até onde nos levar a idade!
60 dias é muito dia. É, sem dúvida alguma! Não tivéssemos nós que tratar de mil e um assuntos, pormenores que a cada dia que passa se tornam, pormaiores: despedidas de solteiro, ajustes de fato, registo civil, entrega de convites, confirmação dos convidades, distribuição dos convidados nas mesas, música para entrar na quinta, musica para abrir o baile, música para abrir o bolo, entretém para a miudagem no casamento, lembranças, sessão de fotografias antes de casamento, reunião com o Padre, curso pré-matrimonial, ementa do casamento, escolher o penteado, sapatos, meias... arranjar disponibilidades para tratar disto tudo, e ainda ter que trabalhar!
Haverá tempo para (con)viver no meio disto tudo?!
O que é certo é que se hoje tomei consciência que já fizemos muito... muito ainda está por fazer!
A passada já se tinha sincronizado com a respiração, e tinha acabado de entrar no modo automático, quando um, outro, e mais outro, pingos de chuva, começam a cair.
Desabou ali uma tromba de água, de uma forma copiosamente desencorajadora que rapidamente me começei a achar um pouco estupido. Ali sozinho, sem ninguém à vista, debaixo de chuva pesada em calções e T-xirt.
Primeiro, acelerei, depois abrandei, e sem saber bem o que fazer perdi o ritmo de corrida, até que me centrei no cheiro a natureza molhada.
Não era apenas a terra. Era cheiro a verde e castanho. Molhados. Sim, porque hoje, posso dizer que as cores ganharam cheiro!
É de louvar o pensamento inovador e empreendedor desta aluna de Enfermagem. Levantou um problema, e inventou uma solução, centrada no campo de acção da nossa profissão! Algo que só nós compreendemos...
Não podia deixar de referir que hoje, caso ainda cá andasse entre nós, este senhor faria anos.
Indiscutivel será sempre a influência que teve, tem e continuará a ter um pouco em todos nós. Quanto mais não seja, naqueles dias em que nada nos corre bem e tudo o que temos a que nos agarrar, é uma simples canção que vai passando baixinho no rádio do nosso automóvel, enquanto regressamos a casa de olhar vidrado na estrada ...