domingo, 21 de setembro de 2014

Ponte Milvio - Parte II




As coisas entretanto mudaram.
Os dias ficaram mais frios, e as pessoas agora sorriem menos, pelo menos é isso que me está a parecer.

Ele lembrava-se perfeitamente daquela tarde em que se sentaram a comer um gelado no muro em frente a esta igreja... 
Tinham acabado de fugir do grupo e foram até a um poste luminoso. Era aquele pensava ele...
Hoje, 4 anos depois, estava lá sozinho. 

O cadeado ainda lá estava. Naquele dia nunca chegou a ver o que ela tinha lá escrito, e hoje não sabia se o deveria fazer...
Tudo à sua volta lembrava-o, as músicas, a roupa, o cheiro da roupa, o cheiro dela, o cheiro dela com e sem roupa, os traços gentis da sua cara, os lábios, a boca, o sorriso, porra, aquele sorriso... 
Nunca dava uma luta como perdida. Tinha sempre que ter razão... E o gozo que a ele lhe dava em fazê-la ver que nem sempre as coisas eram como ela via...
Olhou em volta. Vagarosamente aproximava-se um casal na casa dos 50 anos, quem sabe, o mesmo casal de há 4 anos.
Mas agora estava ali apenas ele, sozinho. Abeirou-se do poste agora já meio tombado, e encontrou o cadeado.
- "Tua até ao dia em que me quiseres só pelo amanhã"




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